PROPOSTA DE PESQUISA / ARQUITETURA
SYS: PROXY SOCIETY / FIELD: AMBIENTE CONSTRUÍDO

ARQUITETURADA PRESENÇA

PRESENÇA DELEGADA / PRESENÇA ESCOLHIDA / ESPAÇO PENSADO PARA AS PESSOAS

Se a IA pode cada vez mais comparecer, negociar e agir por nós, o que torna a presença física uma escolha que vale a pena, e como deve a arquitetura responder?

TESE

A IA pode cada vez mais estar presente por nós.

A arquitetura começa onde ainda decidimos estar presentes pessoalmente.

PERGUNTA ARQUITETÔNICA

O que faz valer a pena escolher a presença?

Este projeto pergunta como a presença delegada muda o valor, o design e o papel social do espaço físico. Em vez de tratar a IA como uma camada acrescentada aos edifícios, trata a ação por representação como uma pressão que reorganiza limiares, espera, reunião, trabalho, aprendizagem, cuidado e hospitalidade.

IMAGINAÇÃO ESPACIAL

Três cenas arquitetônicas

CENA 01 / CORTELimiar / recepção

Um saguão se torna uma negociação entre a chegada corporal e a chegada delegada.

Diagrama em corte de um limiar de recepção compartilhado por pessoas e representantes
CENA 02 / PLANTASala de deliberação

Uma sala de aula, um ateliê ou um fórum cívico acolhe corpos presentes ao lado de participantes representados.

Diagrama em planta de uma sala que mistura participação humana e por representação
CENA 03 / CORTEEnvio a partir de casa

A casa se torna um lugar de onde uma pessoa envia presença delegada para sistemas exteriores.

Diagrama em corte de uma pessoa em casa enviando representantes para sistemas externos

PROPOSIÇÕES ARQUITETÔNICAS

Da interação à ordem espacial

A pesquisa se torna arquitetônica quando passa da etiqueta por si só para salas, instituições, circulação, interfaces, limiares e condições corporais de copresença.

01

A presença delegada é espacial

Um representante altera a comunicação e reorganiza os lugares a que as pessoas precisam de ir, quanto tempo ficam, que encontros ainda exigem presença corporal e como as instituições encenam a participação.

02

A arquitetura começa onde a eficiência termina

À medida que as máquinas absorvem tarefas instrumentais, o valor da arquitetura pode passar de processar pessoas com eficiência para tornar a copresença desejável, legível e acolhedora.

03

A presença tem gradientes arquitetônicos

A presença deixa de ser binária. Os edifícios vão acolher misturas de presença direta, presença representada, observação à distância, participação parcial e ausência estratégica.

04

O espaço pensado para as pessoas é um critério de design

A linhagem de Aalto importa aqui como sistema de valores: aconchego, dimensão tátil, escala, luz, suavidade das relações sociais, recolhimento e conforto corporal se tornam critérios para avaliar a arquitetura em condições de representação.

AALTO COMO LINHAGEM DE VALORES

A arquitetura centrada nas pessoas é o sistema de valores, não o objeto histórico.

A referência a Aalto ancora o projeto no aconchego, na dimensão tátil, na escala, na luz, na suavidade das relações sociais, no recolhimento e no conforto corporal. À medida que as máquinas absorvem a atividade instrumental, a arquitetura pode passar a ser avaliada mais pela capacidade de criar lugares que as pessoas realmente querem habitar juntas do que pela eficiência com que processa pessoas.

TIPOLOGIAS

Onde a Proxy Society encontra a arquitetura

Limiares e recepção

Saguões, balcões de atendimento, salas de espera e entradas institucionais vão mediar cada vez mais entre pessoas presentes e pessoas ausentes que agem por meio de credenciais, dispositivos ou agentes.

Salas de deliberação

Salas de aula, ateliês, salas de reunião e fóruns cívicos vão precisar de novos protocolos para participação mista: quem está realmente presente, quem é representado e como a autoridade é encenada espacialmente.

Híbridos entre casa e trabalho

As casas podem tornar-se lugares de onde as pessoas enviam representantes para o trabalho, os cuidados e a administração, levantando questões de privacidade, obstáculos, espaço de fundo e atenção seletiva.

Cuidado e hospitalidade

Os espaços mais resistentes à delegação podem ser aqueles onde tranquilizar, tocar, testemunhar e acolher mais importam. Essa resistência é arquitetonicamente importante.

PROPOSTA RELACIONADA

A arquitetura pode tornar-se parte da estrutura de governança que preserva a vontade humana.

Circulação de robôs, entradas para representantes, permissões legíveis por máquinas e zonas de prioridade humana vão além da infraestrutura técnica. Podem exprimir fisicamente as vontades que uma sociedade escolhe preservar.

LER PRESERVAR A VONTADE HUMANA

PROGRAMA DE PESQUISA

Arquitetura através do trabalho de campo, do filme e da prototipagem

01Trabalho de campo sobre a presença atual

Observar escritórios, salas de espera, escolas, casas, ambientes de serviço e contextos cívicos. Usar entrevistas, filme e mapeamento de comportamentos para compreender o que a presença física faz hoje social e arquitetonicamente.

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02Mapeamento de situações de representação

Seguir os pontos onde sistemas de IA já falam, agendam, compram, negociam, filtram e decidem por pessoas; depois, mapear que salas, balcões, filas, mesas de trabalho e encontros essas ações deslocam ou transformam.

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03Prototipagem espacial

Projetar e testar salas, limiares e situações institucionais para participação mista humana e por representação. Trabalhar com plantas, cortes, interfaces, mobiliário, sinalização, cenários e fragmentos em escala 1:1.

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04Avaliação comparativa

Comparar protótipos através de comentários qualitativos, observação de comportamentos e leitura arquitetônica; depois, sintetizar princípios para uma arquitetura centrada nas pessoas em condições de presença delegada.

RESULTADOS ESPERADOS

O que a tese de doutorado deve produzir

O01Um quadro conceitual da presença delegada como condição arquitetônica

O02Um conjunto de tipologias e cenários arquitetônicos para participação mista humana e por representação

O03Princípios de design para espaços de presença escolhida, onde estar lá ainda importa

O04Um método híbrido que combina arquitetura, design de interação, etnografia, cinema e prototipagem espacial

PERGUNTAS EM ABERTO

Perguntas que continuam vivas na arquitetura

Q01Se os agentes podem comparecer, negociar e agir em nosso nome, que formas de espaço ganham valor precisamente porque reúnem corpos em vez de processarem transações?

Q02Como alteram a presença delegada e a ausência ativa os limiares, a espera, a reunião, a hospitalidade, o trabalho, a aprendizagem e o cuidado?

Q03Que qualidades arquitetônicas apoiam a presença escolhida: espaços que as pessoas ainda querem habitar porque estar lá oferece valor corporal, social e emocional que a delegação não pode substituir?

Q04Como deve a arquitetura revelar, encenar ou limitar a participação de pessoas ausentes que agem através de representantes autônomos?

PROPOSTA

O representante é a mudança tecnológica. A presença humana é a questão arquitetônica.

A tese de doutorado aposta que o crescimento dos representantes mantém a importância da arquitetura e torna novamente visível o valor espacial, social e sensorial de estarmos juntos em um lugar.